A vida de Cristo, o início da Igreja e as revelações de redenção.
Na reta final da carta, Paulo é forçado a abandonar sua relutância e defender vigorosamente o seu apostolado contra os ataques difamatórios dos falsos mestres. Ele expõe suas credenciais não baseando-se em discursos eloquentes ou títulos pomposos, mas em suas cicatrizes, visões celestiais e na impressionante revelação sobre o propósito divino do seu "espinho na carne".
Paulo lembra aos coríntios que, embora andemos na carne, não militamos segundo a carne; as armas da nossa milícia não são carnais, mas 'poderosas em Deus para destruição de fortalezas', anulando raciocínios altivos contra o conhecimento de Deus. Para desmascarar os "falsos apóstolos" que se gabavam de si mesmos, Paulo ironicamente se "gloria" de suas fraquezas, listando sua longa ficha de sofrimentos extremos por amor a Cristo: prisões, repetidos açoites, naufrágios, perigos de morte, fomes e noites mal dormidas, além da profunda diária 'solicitude por todas as igrejas'.
Paulo relata uma experiência mística extraordinária ocorrida anos antes, quando foi arrebatado ao terceiro céu (o Paraíso). Contudo, para que a grandeza dessas revelações não o ensoberbecesse, foi-lhe imposta uma provação severa:
"E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para que me esbofeteie, a fim de não me exaltar. Acerca do cual três vezes apaguei ao Senhor, para que se desviasse de mim. E disse-me: 'A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza'. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo."
(2 Coríntios 12:7-9)
Paulo aprendeu a lição suprema: quando sou fraco, então é que sou forte em Cristo.
Paulo encerra admoestando a igreja a examinar a si mesma para ver se realmente está na fé. Ele ordena que busquem a perfeição, vivam em paz e que o Deus de amor e paz seja com eles. A carta termina com a sublime bênção apostólica: 'A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós. Amém' (13:14).
Contexto Histórico e Teológico: A natureza exata do "espinho na carne" de Paulo tem sido debatida por séculos (enfermeira crônica nos olhos, malária, ou oposição implacável dos falsos mestres). O termo grego skolops refere-se a uma estaca pontiaguda cravada no corpo, causando dor constante. Teologicamente, a recusa de Deus em remover o espinho, respondendo com um "Não, mas a minha graça te basta", redefine o sofrimento cristão: Deus muitas vezes não remove a nossa dor física ou provação, mas nos dá sustentação sobrenatural para passarmos por ela com alegria e poder.
Lição para a Vida: Qual é o "espinho" na sua vida atual que você tem implorado a Deus para arrancar, sentindo-se frustrado porque o problema continua lá? Pare de focar na remoção do espinho e comece a apoiar-se na suficiência da graça de Deus. É na sua limitação, na sua fraqueza e na sua incapacidade humana que o poder esmagador de Cristo encontra o palco perfeito para brilhar.