A vida de Cristo, o início da Igreja e as revelações de redenção.
Neste dia, unimos a Segunda Epístola de Pedro e a Epístola de Judas, pois ambas combatem o mesmo inimigo: a invasão de falsos mestres que transformavam a graça de Deus em libertinagem (a ideia de que, já que sou salvo pela graça, posso pecar no corpo à vontade). Sabendo que sua morte estava próxima (2 Pe 1:14), Pedro deixa o seu alerta final.
Pedro inicia exortando o crente a não ser estéril. Devemos acrescentar à nossa fé: virtude, ciência, temperança, paciência, piedade, amor fraternal e amor ágape. Ele defende a veracidade do Evangelho garantindo que não seguiram 'fábulas artificialmente compostas', pois ele mesmo foi testemunha ocular da majestade de Cristo no Monte da Transfiguração. Mais seguro ainda que a visão, ele afirma, é a Palavra profética inspirada (as Escrituras), que não é de particular interpretação, mas foi dada por homens santos movidos pelo Espírito Santo.
O capítulo 2 de Pedro e o livro de Judas são muito similares na sua ferocidade profética. Eles advertem que falsos mestres já se infiltraram nas igrejas, introduzindo dissimuladamente 'heresias destruidoras'. Eles são descritos como "fontes sem água" e "nuvens levadas pelo vento". Judas convoca a Igreja a 'batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos'. Ambos citam exemplos do Antigo Testamento sobre como Deus não poupou o juízo contra anjos caídos, contra Sodoma e Gomorra e contra Balaão (que amou o prêmio da injustiça). A ruína daqueles que conhecem o caminho da justiça e voltam para o pecado é comparada ao cão que volta ao próprio vômito.
Pedro adverte que nos últimos dias virão escarnecedores zombando: 'Onde está a promessa da sua vinda?'. Ele responde que, para Deus, um dia é como mil anos; o Senhor não retarda a promessa, Ele apenas é 'longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, mas que todos cheguem ao arrependimento'. Mas o Dia do Senhor virá, e os céus passarão com grande estrondo e os elementos se desfarão abrasados. Nós, porém, esperamos 'novos céus e nova terra, em que habita a justiça'.
Contexto Histórico e Teológico: As epístolas combatem os gnósticos e os antinomianos. Eles usavam o nome de cristãos, mas diziam que o corpo físico era irrelevante, portanto, podiam se entregar à imoralidade sexual e glutonaria (inclusive desrespeitando a Santa Ceia) e ainda assim serem salvos. Judas escreve que a punição contra essa libertinagem é certa, citando livros judaicos não-canônicos (como a Assunção de Moisés e o Livro de Enoque) apenas para usar ilustrações que os leitores da época compreendiam muito bem sobre juízo divino.
Lição para a Vida: O perigo hoje não está apenas fora da igreja, mas dentro dela. Existem pregadores ("nuvens sem água") prometendo o que não podem cumprir, usando a graça como desculpa para tolerar o pecado, a ganância e a imoralidade. Judas nos desafia: você tem "batalhado" pela fé original dos apóstolos, ou aceita qualquer teologia moderna sem base bíblica? E se a promessa da volta de Cristo parece demorar, não é porque Deus falhou; é porque a misericórdia dEle ainda está dando tempo para que a sua família seja salva!