Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção narra a conspiração meticulosa de Absalão para roubar o coração do povo de Israel, a proclamação de sua revolta em Hebrom, e a dolorosa decisão de Davi de fugir de Jerusalém acompanhado de seus fiéis e dos estrangeiros leais para poupar a cidade da destruição.
Com o perdão real conquistado, **Absalão prepara para si um carro e cavalos, e cinquenta homens que corressem adiante dele**. Absalão costuma levantar-se pela manhã cedo e colocar-se à margem do caminho da porta da cidade; sempre que alguém vinha com alguma causa para ser julgada pelo rei, Absalão chamava-o a si e dizia de que cidade era. Após ouvir o pleito, Absalão dizia com astúcia: "Eis que os teus negócios são bons e retos, porém não tens quem te ouça da parte do rei", acrescentando o desejo de ser constituído juiz na terra para fazer justiça a todo homem que tivesse demanda. Além disso, quando alguém se aproximava para se prostrar perante ele, Absalão estendia a mão, pegava-o e o beijava. Desta maneira, **Absalão furta o coração dos homens de Israel**. Passados quatro anos (ou quarenta, segundo algumas variantes textuais), Absalão pede ao rei Davi permissão para ir a Hebrom cumprir um voto que fizera ao Senhor enquanto habitava em Gesur. O rei despede-o em paz com a bênção: "Vai em paz". No entanto, Absalão vai a Hebrom levando consigo duzentos homens convidados de Jerusalém, que iam na sua simplicidade sem saber de nada; além disso, Absalão envia recados e convoca **Aitofel, o gilonita** (conselheiro de Davi), de sua cidade de Gilo. A conspiração torna-se forte, e **o povo que se ajunta com Absalão vai crescendo em número**.
Chega um mensageiro a Davi informando que **o coração dos homens de Israel vai após Absalão**. Diante do perigo iminente, Davi diz a todos os seus servos que estavam com ele em Jerusalém: "Levantai-vos, e fujamos, porque não poderemos escapar de diante de Absalão; apressai-vos a partir, para que porventura não se apresse ele, e nos alcance, e lance sobre nós o mal, e fira a cidade a fio de espada". Todos os servos do rei concordam e **o rei sai, e toda a sua casa com ele a passos de gado**, deixando apenas dez concubinas para guardarem a casa. O rei sai, e todo o povo a seu passo, parando na casa mais distante. Todos os seus servos passam ao seu lado, juntamente com todos os quereteus, peleteus e os seiscentos giteus que tinham vindo atrás dele desde Gate, tendo **Itai, o giteu** à sua frente. Vendo Itai, o rei diz-lhe que não devia marchar com eles, pois era estrangeiro e exilado, instando-o a voltar com seus irmãos. Mas Itai responde com incomparável lealdade: "Vive o Senhor, e vive o meu senhor o rei, que, em qualquer lugar em que estiver o meu senhor o rei, seja para morte seja para vida, aí estará o teu servo!". Davi permite que ele passe com toda a sua gente e crianças. Quando passam pelo vale, todo o país chora em alta voz; o rei passa o ribeiro de Cedrom, e todo o povo passa na direção do deserto. Os sacerdotes Zadoque e Abiatar também trazem a Arca da Aliança de Deus, mas Davi instrui-os a retornarem a Jerusalém com a Arca, dizendo que, se achar graça aos olhos do Senhor, Ele o fará voltar para vê-la novamente; caso contrário, que Deus faça dele o que bem parecer. Davi escala o monte das Oliveiras, subindo e chorando, com a cabeça coberta e os pés descalços, enquanto o povo que ia com ele cobria a cabeça e subia chorando. É informado a Davi que **Aitofel está entre os conspiradores com Absalão**; Davi ora imediatamente: "Ó Senhor, prietário peço-te, em loucura o conselho de Aitofel!". Ao chegar ao cume do monte, onde se costuma adorar a Deus, vem ao seu encontro Husai, o arquiita, com a túnica rasgada e terra sobre a cabeça. Davi envia Husai de volta a Jerusalém para que finja servir a Absalão e sirva como espião para anular os conselhos de Aitofel em conluio com os sacerdotes Zadoque e Abiatar.
Contexto Histórico e Teológico: A revolta de Absalão é a consequência mais amarga e direta anunciada por Natã: a rebelião brotando do seio da própria família real. O choro de Davi subindo o monte das Oliveiras com os pés descalços e a cabeça coberta reflete um momento de profunda humilhação e quebrantamento, ecoando também como uma figura profética prefigurando o sofrimento do próprio Cristo (o Filho de Davi) no mesmo monte das Oliveiras séculos mais tarde.
Lição para a Vida: As crises severas e as traições inesperadas (mesmo vindas de pessoas próximas ou conselheiros de confiança) testam a verdadeira lealdade dos que nos rodeiam. Devemos entregar nossas causas nas mãos de Deus, buscando a Sua direção em meio à angústia.