Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção narra a expansão comercial marítima de Salomão a partir do mar Vermelho com o auxílio de Hirão, o desenvolvimento de cidades fortificadas, e a suntuosa visita diplomática da Rainha de Sabá, que veio testar a prodigiosa sabedoria e a imensa glória do rei de Israel.
Ao fim dos vinte anos em que Salomão edificara as duas casas (a Casa do Senhor e a casa do rei), e tendo Hirão fornecido a Salomão madeira de cedro e de cipreste e ouro segundo todo o seu desejo, o rei Salomão dá a Hirão **vinte cidades na terra da Galileia**. Hirão sai de Tiro para ver as cidades que Salomão lhe dera, mas não lhe agradam; por isso, chama àquela terra a terra de Cabul até ao dia de hoje. Paralelamente, Salomão mobiliza a corveia de trabalho forçado para edificar a Casa do Senhor, a sua própria casa, o Milo, o muro de Jerusalém, além de fortificar cidades estratégicas como Hazor, Megido e Gezer (esta última tomada pelo Faraó, rei do Egito, que a queimara e dera por dote à sua filha, esposa de Salomão), Bet-Horom, Baalate e Tadmor no deserto. O rei Salomão constrói também uma **frota de navios em Eziom-Geber**, que está junto a Elote, na praia do mar Vermelho, na terra de Edom; **Hirão envia com os navios os seus próprios servos**, marinheiros habituados ao mar, juntamente com os servos de Salomão. Eles vão a Ofir e trazem de lá **quatrocentos e vinte talentos de ouro**, que entregam ao rei Salomão.
Ouvindo a **Rainha de Sabá** a fama de Salomão no tocante ao nome do Senhor, **vem prová-lo com enigmas**. Ela chega a Jerusalém com uma comitiva grandíssima, com camelos carregados de especiarias, muitíssimo ouro e pedras preciosas; e, quando entra a Salomão, fala-lhe de tudo o que tinha no seu coração. **Salomão responde-lhe a todas as palavras**, não havendo coisa alguma oculta que o rei não pudesse explicar-lhe. Vendo a rainha toda a sabedoria de Salomão, a casa que edificara, a comida da sua mesa, o assentar dos seus servos, o estar dos seus oficiais em pé, as suas vestes, os seus copeiros e os seus holocaustos que oferecia na Casa do Senhor, **ficará como fora de si** e diz ao rei: "Era verdadeira a palavra que ouvi na minha terra acerca dos teus negócios e da tua sabedoria. Eu, porém, não cria nas palavras, até que vim e os meus olhos o viram; e eis que não me disseram a metade; antes excedes tu em sabedoria e bens a fama que ouvi". Ela exclama que felizes eram os homens e os servos que estavam de contínuo perante ele ouvindo a sua sabedoria, bendizendo ao Senhor seu Deus que o pusera no trono de Israel por amor da Sua justiça. A rainha dá ao rei cento e vinte talentos de ouro, muitíssimas especiarias e pedras preciosas (nunca mais houve especiarias em tanta abundância como aquelas que a Rainha de Sabá deu ao rei Salomão). Em retribuição, **o rei Salomão dá à Rainha de Sabá tudo quanto ela desejou e pediu**, além do que lhe deu de sua própria liberalidade; e ela volta e vai-se à sua terra com os seus servos.
O peso do ouro que vinha a Salomão em um só ano era de **seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro**, sem contar o rendimento dos negociantes, do tráfego dos mercadores, de todos os reis da arábia e dos governadores da terra. O rei Salomão faz duzentos escudos grandes de ouro batido (gastando seiscentos siclos de ouro em cada escudo) e trezentos escudos menores de ouro batido (gastando três minas de ouro em cada escudo), colocando-os na Casa do Bosque do Líbano. O rei faz também um **grande trono de marfim**, revestido de ouro puro, com seis degraus e doze leões nas extremidades. **Todo o ouro de beber do rei Salomão era de ouro**, e todos os utencílios da Casa do Bosque do Líbano eram de ouro puro; a prata não era tida em nenhuma estima nos dias de Salomão, pois o rei tinha navios de Társis com a frota de Hirão, que de três em três anos traziam ouro, prata, marfim, bugios e pavões. Assim, **o rei Salomão excedeu a todos os reis da terra em riquezas e em sabedoria**, fazendo com que a prata em Jerusalém fosse tão comum como as pedras, e os cedros tão abundantes como os sicômoros das planícies.
Contexto Histórico e Teológico: A visita da Rainha de Sabá ilustra o cumprimento visível da promessa de que as nações viriam a ser atraídas pela glória e pela sabedoria que Deus concedera a Israel sob o reinado de Salomão. Historicamente, o controle das rotas comerciais marítimas e terrestres transformou Israel no centro financeiro e geopolítico do Oriente Médio antigo.
Lição para a Vida: O reconhecimento público e a admiração dos outros diante de uma vida bem-sucedida devem sempre apontar para a fonte de toda sabedoria e bênção, que é Deus, e não para a soberba humana.