Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção narra a cobiça pecaminosa do rei Acabe pela vinha de Nabote, o complô maquiavélico e criminoso tramado pela rainha Jezabel para assassinar Nabote, a condenação irrevogável proferida por Elias, e a humilhação temporária de Acabe diante de Deus.
Junto ao palácio de Acabe em Jizreel havia uma **vinha que pertencia a Nabote, o jizreelita**. Acabe deseja a vinha para fazer dela uma horta de ervas, por estar perto da sua casa, e propõe a Nabote dar-lhe outra vinha melhor ou pagar-lhe o seu valor em dinheiro. Contudo, **Nabote recusa**, dizendo: "Guarde-me o Senhor de que eu te dê a herança de meus pais" (vender a herança ancestral violava a lei pactual de Israel em Levítico 25:23). **Acabe volta para sua casa desgostoso e indignado**, deita-se na sua cama, vira o rosto e não quer comer pão. Sua mulher, **Jezabel**, entra e pergunta-lhe a razão de sua tristeza. Ao saber que ele fora rejeitado por Nabote, Jezabel diz-lhe com desdém: "Governaste tu agora sobre Israel? Levanta-te, come pão, e alegre-se o teu coração; eu te darei a vinha de Nabote, o jizreelita". Jezabel escreve cartas em nome de Acabe, sela-as com o sinete do rei, e envia-as aos anciãos e nobres que habitavam na cidade com Nabote. O plano é perverso: proclama um jejum, assenta Nabote em lugar proeminente no meio do povo, e coloca **dois homens filhos de Belial** (falsas testemunhas) para deporem contra ele, dizendo que Nabote blasfemara contra Deus e contra o rei; em seguida, levam-no para fora da cidade e **o apedrejam até que morre**. Os homens de Jizreel cumprem as ordens e mandam dizer a Jezabel que Nabote fora apedrejado e morto. Assim que recebe a notícia, Jezabel diz a Acabe que se levante e tome posse da vinha, pois Nabote já não vive; **Acabe levanta-se para descer à vinha** e tomar posse dela.
A palavra do Senhor vem a **Elias, o tesbita**, ordenando-lhe que se levante e desça ao encontro de Acabe, rei de Israel, que está em Samaria na vinha de Nabote, para onde descera a possuí-la. Elias vai ao seu encontro. Quando Acabe vê Elias, diz-lhe: "Já me achaste, inimigo meu?". Elias responde sem hesitação: "Achei-te; porquanto **já te vendeste para fazer o mal perante o Senhor**. Assim diz o Senhor: Eis que trarei o mal sobre ti, e varrerá a tua posteridade... e farei à tua casa como a casa de Jeroboão... e acerca de Jezabel também falou o Senhor, dizendo: **Os cães comerão a Jezabel junto ao antemural de Jizreel**". Elias acrescenta que, de todos os da casa de Acabe que morrerem na cidade, os cães os comerão, e os que morrerem no campo, as aves do céu os comerão (pois não houve ninguém que se houvesse vendido para fazer o mal como Acabe, a quem sua mulher Jezabel instigava, cometendo grandes abominações após os ídolos). Quando Acabe ouve estas palavras, **rasga as suas vestes, põe saco sobre a sua carne, jejua, dorme em saco e anda mansamente**. A palavra do Senhor vem a Elias, o tisbita, dizendo: "Viste como Acabe se humilha perante mim? Portanto, visto que **se humilha perante mim, não trarão este mal nos seus dias**, mas nos dias de seu filho trarão o mal sobre a sua casa".
Contexto Histórico e Teológico: O episódio da vinha de Nabote ilustra o ápice da corrupção moral e do abuso de poder da monarquia do Norte sob a influência de Jezabel. O assassinato jurídico de um homem inocente e fiel à Lei para satisfazer a cobiça real provocou a ira imediata de Deus. Notavelmente, até mesmo um rei tão ímpio como Acabe, ao demonstrar contrição e humilhação genuínas (rasgando as vestes e jejuando), encontrou misericórdia temporária da parte de Deus, que adiou o juízo severo sobre sua dinastia.
Lição para a Vida: O abuso de poder, a cobiça e a injustiça contra os inocentes não passam despercebidos aos olhos de Deus, que é o defensor supremo dos oprimidos. O arrependimento sincero, mesmo nos corações mais endurecidos, comove a misericórdia do Senhor.