Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção narra o piedoso e próspero reinado de Josafá em Judá, suas reformas administrativas e educacionais ao enviar príncipes e levitas para ensinar a Lei, a memorável vitória sobre a coligação inimiga através do louvor, e o início do frágil reinado de Acazias em Israel.
**Josafá, filho de Asa, reina em Judá** em lugar de seu pai, fortalecendo-se contra Israel. Ele anda nos primeiros caminhos de Davi, seu pai, buscando ao Deus de seu pai e andando nos Seus mandamentos. **O Senhor estabiliza o reino na sua mão**, e todo o Judá lhe traz presentes, de modo que tem riquezas e glória em abundância. No terceiro ano de seu reinado, Josafá toma uma iniciativa pedagógica e espiritual sem precedentes: envia os seus príncipes (Ben-Abike, Obadias, Zacarias, Natanael e Micaías), juntamente com os levitas (Semaías, Netanias, Zebadias, Asael, Semiramote, Jônatas, Adonias, Tobias e Tob-Adonias) e com os sacerdotes Elisama e Jorão, para **ensinarem nas cidades de Judá**, levando consigo o livro da Lei do Senhor e percorrendo todas as cidades de Judá, ensinando o povo. Por causa disso, o pavor do Senhor cai sobre todos os reinos das terras que estavam em redor de Judá, e não fazem guerra contra Josafá. Mais tarde, Josafá institui juízes por todas as cidades fortificadas de Judá, instruindo-os com uma recomendação memorável: "Vede o que fazeis, porque não julgais para o homem, senão para o Senhor, o qual está convosco no julgamento. Agora, pois, seja o temor do Senhor convosco; guardai-o e fazei-o, porque não há no Senhor nosso Deus iniquidade nem acepção de pessoas, nem subornos".
Passado algum tempo, os filhos de Moabe e os filhos de Amom, e com eles outros dos amonitas, vêm à peleja contra Josafá. Alguém vai dar aviso a Josafá, dizendo: "Vem contra ti uma grande multidão além do mar, da Síria". **Josafá teme, e põe-se a buscar ao Senhor, e profere um jejum em todo o Judá**. Judá ajunta-se para pedir socorro ao Senhor; de todas as cidades de Judá vêm para buscar ao Senhor. Josafá põe-se em pé na congregação de Judá e Jerusalém, na Casa do Senhor, e profere uma oração tocante: "Ah, Senhor Deus de nossos pais! Porventura não és tu Deus nos céus? E tu não dominas sobre todos os reinos das nações? E na tua mão há força e potência, e não há quem possa resistir-te... Ó nosso Deus, porventura não os julgarás? Porque em nós não há força diante desta grande multidão que vem contra nós, e não sabemos o que faremos; **porém os nossos olhos estão postos em ti**". Todo o Judá está em pé perante o Senhor, com os seus meninos, as suas mulheres e os seus filhos. Então, no meio da congregação, **o Espírito do Senhor vem sobre Jaaziel** (filho de Zacarias, neto de Benaias), o qual proclama: "Dai ouvidos todo o Judá, e vós, moradores de Jerusalém, e tu, ó rei Josafá! Assim diz o Senhor a vós: **Não temais, nem vos amedronteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, senão de Deus**... Nesta peleja não tereis que pelejar; parai, estai em pé, e vedes a salvação do Senhor convosco, ó Judá e Jerusalém". Josafá prostra-se com o rosto em terra, e todo o Judá e os moradores de Jerusalém prostrantam-se perante o Senhor. Os levitas dos filhos de Coat e dos filhos de Corá levantam-se para louvar ao Senhor Deus de Israel com voz alta e forte. Pela manhã cedo, saem ao deserto de Tecoa; ao saírem, Josafá põe-se em pé e diz: "Ouvi-me, ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém: Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e prosperareis". Tendo tomado conselho com o povo, **põe cantores que louvassem ao Senhor, vestidos de ornamentos sagrados, e que saíssem diante do exército**, dizendo: "Louvai ao Senhor, porque a sua benignidade dura para sempre". E, **quando começam a cantar e a dar louvores, o Senhor põe emboscadas contra os filhos de Amom, de Moabe e do monte Seir** que haviam vindo contra Judá, e **são desbaratados**. Os amonitas e moabitas voltam-se contra os moradores do monte Seir, destruindo-os totalmente; e, quando acabam os de Seir, ajudam a destruir-uns aos outros. Quando os homens de Judá chegam à torre de vigia do deserto e olham para a multidão, eis que eram corpos mortos que jaziam em terra, e nenhum escapou. Josafá e o seu povo vão a despojar os bens deles, achando riquezas em abundância, despojos e objetos preciosos, levando três dias para recolher o despojo, por ser tanto. No quarto dia, ajuntam-se no vale de Beraca (Bênção), pois ali bendisseram ao Senhor. Depois disso, o temor de Deus cai sobre todos os reinos daquelas terras quando ouvem que o Senhor pelejara contra os inimigos de Israel, e **o reino de Josafá tem descanso**, pois o seu Deus lhe dá paz em redor.
Josafá reina sobre Judá tendo trinta e cinco anos de idade, e reina vinte e cinco anos em Jerusalém; o nome de sua mãe era Azuba, filha de Silxi. Ele anda em todo o caminho de Asa, seu pai, não se desviando dele, fazendo o que era reto aos olhos do Senhor; contudo, os altos não foram tirados, pois o povo ainda não tinha preparado o seu coração para o Deus de seus pais. O restante dos atos de Josafá, desde os primeiros até aos últimos, estão escritos nas crônicas de Jeú, filho de Hanani. Contudo, no fim, Josafá alia-se a Acazias, rei de Israel, procedendo impiamente ao fazer navios em Eziom-Geber para irem a Társis; por isso, Eliézer, filho de Dodavá, profetiza contra Josafá, dizendo: "Porquanto te apegaste a Acazias, o Senhor despedaçou as tuas obras", e os navios quebram-se e não podem ir a Társis. Enquanto isso, **Acazias, filho de Acabe, reina sobre Israel em Samaria** no ano dezessete de Josafá, rei de Judá, reinando dois anos sobre Israel. Ele faz o mal perante o Senhor, andando no caminho de seu pai, no caminho de sua mãe e no caminho de Jeroboão, servindo a Baal e prostrando-se perante ele, provocando à ira o Senhor Deus de Israel, exatamente como fizera seu pai.
Contexto Histórico e Teológico: O reinado de Josafá destaca-se como um dos períodos mais espiritualmente luminosos de Judá. Sua decisão pioneira de enviar príncipes e levitas para ensinar a Palavra de Deus por todas as cidades estabelece o princípio de que a reforma social e a estabilidade política devem ser alicerçadas na educação bíblica do povo. O episódio da vitória contra a coalizão inimiga através do louvor exalta uma das maiores verdades espirituais da Bíblia: a batalha pertence ao Senhor, e a adoração sincera desarma as forças opositoras.
Lição para la Vida: Diante de crises avassaladoras e ameaças que parecem maiores do que nossas forças, a nossa postura não deve ser o pânico, mas focar os olhos em Deus, clamar com humildade e erguer o louvor, reconhecendo que a vitória vem exclusivamente do Senhor.