Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção narra uma série de milagres extraordinários realizados pelo profeta Eliseu, demonstrando o cuidado compassivo de Deus pelas necessidades cotidianas e extremas de pessoas comuns: a multiplicação do azeite para salvar os filhos de um profeta da escravidão, a hospitalidade recompensada da sunamita com o nascimento e a ressurreição de seu filho, a purificação do caldo venenoso, e a multiplicação de pães para alimentar cem homens.
Uma mulher, esposa de um dos filhos dos profetas, clama a Eliseu dizendo que seu marido morrera e que o credor viera para levar os seus dois filhos como servos. Eliseu pergunta-lhe: "Que hei de eu fazer? Declara-me o que tens em casa". Ela responde: "A tua servia não tem nada em casa, senão uma botija de azeite". Eliseu instrui-a a pedir vasilhas emprestadas a todos os seus vizinhos, vasilhas vazias, e não poucas; depois, entrar em casa com seus filhos, fechar a porta e **deitar azeite em todas aquelas vasilhas**, pondo à parte as que se enchiam. A mulher faz exatamente assim; as vasilhas enchem-se todas até que o azeite finalmente cessa, e o homem de Deus diz-lhe que venda o azeite, pague a dívida e viva do resto com os seus filhos. Posteriormente, Eliseu frequenta a cidade de **Suném**, onde uma mulher nobre e hospitaleira prepara um quarto alto para o profeta. Em gratidão pela sua hospitalidade, Eliseu profetiza que ela abraçará um filho no ano seguinte, o que se cumpre. Anos mais tarde, o menino cresce, sai ao campo com seu pai junto aos segadores e sofre uma forte insolação, dizendo: *"Minha cabeça! Minha cabeça!"*. Levado aos braços de sua mãe, o menino **morre** ao meio-dia. A mulher põe-no sobre a cama do homem de Deus, sela o quarto e parte a cavalo em busca de Eliseu no monte Carmelo. Vendo-a vir de longe, Eliseu envia seu servo Geazi para perguntar se vai tudo bem com ela, com seu marido e com o menino; ela responde: *"Tudo vai bem"*. Porém, ao chegar junto a Eliseu no monte, ela lança-se aos seus pés. Eliseu ordena a Geazi que tome o seu bordão, corra e o ponha sobre o rosto do menino, mas a mãe diz: *"Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei"*. Eliseu levanta-se e vai com ela. Quando chega à casa, **Eliseu entra no quarto, ora ao Senhor, deita-se sobre o menino** (pondo a sua boca sobre a boca dele, os seus olhos sobre os seus olhos e as suas mãos sobre as suas mãos) e **o corpo do menino aquece-se**. Eliseu anda de um lado para o outro na casa, torna a subir e estende-se sobre ele mais uma vez; então **o menino espirra sete vezes e abre os olhos**. A sunamita entra, prostra-se aos seus pés e pega o seu filho.
Eliseu volta a Gilgal, havendo fome naquela terra. Estando os filhos dos profetas assentados diante dele, Eliseu diz ao seu servo que ponha a grande panela ao lume e faça um pottage (caldo) para os filhos dos profetas. Um deles sai ao campo a apanhar ervas, acha uma vide silvestre e colhe dela **coloquínquidas silvestres** (abóboras amargas e venenosas) enchendo a sua capa, e pica-as na panela do caldo, sem saber o que eram. Servem-no aos homens para comerem; mas, ao provarem do caldo, **clamam e dizem: "Homem de Deus, há morte na panela!"**, e não podem comê-lo. Eliseu diz: *"Trazei farinha"*. Deita-a na panela e diz: *"Serve ao povo, para que comam"*; e **já não havia mal algum na panela**. Logo depois, chega um homem de Baal-Salisa, trazendo ao homem de Deus pães das primícias, vinte pães de cevada e espigas no seu alforje. Eliseu diz: *"Dá ao povo, para que comam"*. O seu servo responde: *"Como hei de pôr isto diante de cem homens?"*. Eliseu insiste: *"Dá ao povo, para que comam; porque assim diz o Senhor: **Comerão e sobejarão**"*. Põe-no, pois, diante deles; **comeram e sobejarão**, conforme a palavra do Senhor.
Contexto Histórico e Teológico: Os milagres de Eliseu diferem ligeiramente dos de Elias por estarem profundamente inseridos no cotidiano das famílias, dos discípulos e das comunidades locais. Enquanto Elias confrontou reis e nações em grande escala no Carmelo, Eliseu revelou o coração compassivo de Deus intervindo nas crises domésticas mais íntimas (dívidas, morte de filhos, fome e escassez de alimentos). Cada milagre atesta que o Deus do cosmos também se importa com as aflições miúdas dos humildes.
Lição para a Vida: Não há situação pequena demais ou crise doméstica impossível para o poder e a compaixão de Deus. Quando entregamos o pouco que temos nas mãos do Senhor, Ele é poderoso para multiplicar e suprir todas as nossas necessidades.