Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção registra o cumprimento do juízo final sobre o Egito e o desfecho apoteótico da escravidão: a saída triunfal de Israel. É a noite mais solene da história de Israel, marcando o nascimento oficial de uma nação livre sob a tutela direta de Iavé.
À meia-noite, o Senhor fere todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó até o primogênito do cativo no cárcere e todas as primícias do gado. Levanta-se um clamor imenso e inconsolável em todo o Egito, pois não havia casa onde não houvesse um morto. Naquela mesma noite, Faraó chama Moisés e Arão e ordena: "Levantai-vos, saí do meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel; e ide, servi ao Senhor, como tendes dito". Os egípcios apertam o povo, apressando-se em mandá-los embora da terra, pois diziam: "Todos seremos mortos". O povo de Israel toma a sua massa de pão antes que levedasse, embrulha as amassadeiras em suas roupas e sai carregando os despojos de ouro, prata e vestes que haviam pedido aos egípcios. Contam-se cerca de seiscentos mil homens de pé, sem contar as mulheres e crianças, além de uma grande multidão de mistos de povos que subiu com eles. Foram exatos 430 anos de permanência na terra do Egito, dia por dia.
Antes de iniciar a caminhada, o Senhor instrui Moisés a consagrar para Si todo primogênito entre os israelitas, tanto de homens como de animais, pois pertencem a Deus em memorial ao resgate operado na noite da morte. O povo é solenemente ordenado a celebrar anualmente a festa dos Pães Ázimos ao entrar na Terra Prometida, comendo pães sem fermento durante sete dias como lembrança perpétua de que saíram do Egito às pressas. Quando os filhos no futuro perguntassem o significado daquilo, os pais teriam o dever teológico de explicar: "Com mão forte nos tirou o Senhor dali, da casa da servidão".
Quando Faraó deixou o povo ir, Deus não os guiou pelo caminho da terra dos filisteus, que era o mais curto e óbvio, pois pensou: "Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e volte para o Egito". Em vez disso, Deus fez o povo rodear pelo caminho do deserto rumo ao mar Vermelho. Moisés cumpre a solene promessa feita décadas antes por José e leva consigo os seus ossos para serem sepultados na terra prometida. Os israelitas partem de Sucote e acampam em Etã, à entrada do deserto. E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para lhes dar luz, a fim de que pudessem caminhar de dia e de noite; nunca se ausentou do povo a coluna de nuvem de dia, nem a coluna de fogo de noite.
Contexto Histórico e Teológico: O desvio intencional da rota curta dos filisteus evitou um conflito militar imediato com povos guerreiros que esmagariam uma multidão recém-saída da escravidão e destreinada. A presença visível de Iavé guiando o acampamento por meio da nuvem e do fogo substituiu os ídolos protetores das nações vizinhas, garantindo que o acampamento hebreu estivesse sob a direção direta do Rei dos reis.
Lição para a Vida: Às vezes, Deus nos afasta dos caminhos mais fáceis e óbvios da nossa perspectiva para nos poupar de batalhas para as quais ainda não temos maturidade espiritual. A Sua presença contínua (representada pela nuvem e pelo fogo) é a nossa garantia de direção exata nos desertos da vida.