Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção narra o péssimo reinado de Acaz em Judá, que mergulhou a nação na idolatria mais abjeta (incluindo o sacrifício de filhos), a crise da guerra siro-efraimita, a aliança desastrosa com a Assíria e a substituição do altar do templo por um modelo pagão.
No décimo sétimo ano de Peca, filho de Remalias, **começa a reinar Acaz, filho de Jotão, rei de Judá**, tendo vinte anos de idade, e reina dezesseis anos em Jerusalém. Ele **não faz o que era reto aos olhos do Senhor**, antes anda nos caminhos dos reis de Israel, e até faz passar os seus filhos pelo fogo, conforme as abominações das nações que o Senhor expulsara de diante dos filhos de Israel. Também sacrifica e queima incenso nos altos, nos outeiros e debaixo de toda árvore verde. Por isso, **o Senhor seu Deus o entrega nas mãos do rei da Síria**, o qual o fere, levando dele uma grande multidão de cativos a Damasco. Também é entregue nas mãos do **rei de Israel (Peca)**, o qual o fere com uma grande matança: num só dia, Peca mata em Judá cento e vinte mil, todos homens valentes, porquanto **tinham abandonado o Senhor Deus de seus pais**. Zicri (homem valente de Efraim) mata a Maaseias, filho do rei, a Azricam (governador da casa) e a Elcana (o segundo depois do rei). Os filhos de Israel levam cativos de seus irmãos duzentos mil, mulheres, filhos e filhas, além de muitos despojos; porém **há ali um profeta do Senhor chamado Odede**, o qual sai ao encontro do exército que volta a Samaria e os repreende severamente, lembrando-lhes que a ira de Deus contra Judá se devia aos pecados deles mesmos, e advertindo-os a não escravizarem seus irmãos de Judá. Então alguns dos principais dos filhos de Efraim levantam-se contra os que vinham da guerra, vestem os nus com os despojos, dão-lhes calçado, de comer e de beber, ungem-nos e transportam sobre jumentos a todos os debilitados, levando-os até Jericó, aos limites de Palmeiras, voltando depois a Samaria. Naquele mesmo tempo, **os edomitas voltam e ferem a Judá**, levando cativos; e **os filisteus invadem** as cidades da planície e do sul de Judá, tomando Bete-Semes, Ajalom, Gederote, Soco, Timna e Ginzo com suas vilas, e habitando ali; porque **o Senhor empobreceu a Judá por causa de Acaz, rei de Israel**, porquanto este desnuda a Judá e transgride grandemente contra o Senhor.
Diante da pressão de Rezim, rei da Síria, e de Peca, rei de Israel, **Acaz envia mensageiros a Tiglate-Pileser, rei da Assíria**, dizendo: "Eu sou teu servo e teu filho; sobe, e livra-me das mãos do rei da Síria e das mãos do rei de Israel, que se levantam contra mim". Acaz toma a prata e o ouro que se acham na Casa do Senhor e nos tesouros da casa do rei, e envia-os como presente ao rei da Assíria. O rei da Assíria dá-lhe ouvidos, sobe a Damasco, toma-a e leva os habitantes em cativeiro para Quir, matando a Rezim. O rei Acaz vai a Damasco para encontrar-se com **Tiglate-Pileser, rei da Assíria**; e, vendo **um altar que estava em Damasco**, o rei Acaz envia ao sacerdote Urias o modelo e a planta exata de todo o seu trabalho. **O sacerdote Urias edifica um altar** conforme tudo o que o rei Acaz lhe enviara desde Damasco. Quando o rei volta de Damasco, vê o altar, chega-se a ele e oferece nele sacrifícios. Também **tira as bases das pias e retira delas as pias; e tira o mar de cima dos bois de bronze** que estavam debaixo dele, pondo-o sobre um pavimento de pedra. Além disso, por causa do rei da Assíria, **faz uma coberta para o sábado** que se edificara na casa do rei, e muda a entrada de fora para a Casa do Senhor. No tempo da sua angústia, Acaz transgride ainda mais contra o Senhor; e **sacrifica aos deuses de Damasco** que o feriram, dizendo: "Visto que os deuses dos reis da Síria os ajudam, eu lhes sacrificarei, para que me ajudem". Porém eles foram a sua ruína e a de todo o Israel. Acaz ajunta os utensílios da Casa do Senhor, corta-os em pedaços, fecha as portas da Casa do Senhor e faz para si altares em todos os cantos de Jerusalém. Acaz dorme com seus pais, e é sepultado na cidade de Jerusalém, porém **não o metem nos sepulcros dos reis de Israel**; e **seu filho Ezequias reina em seu lugar**.
Contexto Histórico e Teológico: O reinado de Acaz representa o fundo do poço espiritual de Judá no período monárquico. Encurralado por inimigos políticos, Acaz recusou o socorro divino oferecido pelos profetas e recorreu a subornos políticos com a Assíria e à adoção de cultos pagãos estrangeiros. O fechamento das portas do templo e a introdução de um altar pagão demonstraram a apostasia radical de um rei que preferiu a escravidão geopolítica à dependência do Senhor.
Lição para a Vida: Recorrer a alianças seculares, ídolos ou artifícios humanos quando enfrentamos crises e tribulações só aprofunda a nossa ruína espiritual e material. A verdadeira libertação e o socorro só podem ser encontrados ao voltarmos o coração com arrependimento para o Senhor.