📖 Jornada Bíblica - Velho Testamento

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DIA 154 DE 233
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A Invasão de Senaqueribe, a Oração de Ezequias e a Ruína do Exército Assírio

Livros/Trecho: 2 Reis 18:13 - 19:37, Isaías 36-37 e 2 Crônicas 32:1-23

Resumo Exegético

Esta seção narra a imponente invasão da Assíria liderada por Senaqueribe contra as cidades fortificadas de Judá, as insolentes blasfêmias do porta-voz assírio Rabsaces contra o Senhor, a profunda angústia de Ezequias corroborada pela mensagem do profeta Isaías, e a dramática aniquilação milagrosa de cento e oitenta e cinco mil soldados assírios por um anjo do Senhor durante a noite.

1. A Invasão de Senaqueribe e a Blasfêmia de Rabsaces (2 Reis 18:13-37 e Isaías 36)

No décimo quarto ano do rei Ezequias, **Senaqueribe, rei da Assíria, sobe contra todas as cidades fortificadas de Judá, e toma-as**. Vendo Ezequias que Senaqueribe vinha com o propósito de pelejar contra Jerusalém, toma conselho com os seus príncipes e os seus homens valentes para fechar as águas das fontes que estavam fora da cidade, e eles o ajudam. Ajunta-se muito povo, e param as águas de todas as fontes e o ribeiro que corria pelo meio da terra, dizendo: "Por que viriam os reis da Assíria e achariam tanta água?". Ezequias também se fortifica, edifica todo o muro quebrado, levanta torres, faz outro muro por fora, fortifica o Milo da Cidade de Davi e faz armas e escudos em abundância. Põe capitães de guerra sobre o povo e fala-lhes ao coração. Porém o rei da Assíria envia o Tartã, o Rabsaris e o **Rabsaces** de Laquis com um grande exército ao rei Ezequias, a Jerusalém; eles sobem e chegam a Jerusalém, parando junto ao aqueduto da piscina superior, que está no caminho do campo do lavandeiro. Chamam pelo rei, e saem a ter com eles Eliaquim (filho de Hilquias, o mordomo), Sebna (o escriba) e Joá (filho de Asafe, o chanceler). **Rabsaces diz-lhes**: "Dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: Que confiança é esta em que te confias? Dizes tu (mas são palavras de lábios): Há conselho e poder para a guerra. Em quem, pois, agora confias, para que te rebeles contra mim? Eis que agora confias naquele bordão de cana esmagada, no Egito, o qual, se alguém nele se apoiar, entrar-lhe-á pela mão e a traspassará... E, se me dizei: Confiamos no Senhor nosso Deus; porventura não é Ele Aquele cujos altos e cujos altares Ezequias tirou, dizendo a Judá e a Jerusalém: Perante este altar adorareis em Jerusalém? Ora, pois, dá prendas agora ao meu senhor, o rei da Assíria, e dar-te-ei dois mil cavalos, se tu podes por tua parte dar cavaleiros para eles. Como, pois, repelirias a um só capitão dos menores servos de meu senhor, e confias no Egito para os carros e cavaleiros? Porventura subí eu agora sem o Senhor contra este lugar para o destruir? O Senhor me disse: Sobe contra esta terra, e destrói-a". Eliaquim, Sebna e Joá dizem a Rabsaces: "Fala, peço-te, aos teus servos em sírio, porque nós o entendemos; e não nos faças falar em judeu aos ouvidos do povo que está sobre o muro". Porém **Rabsaces responde**: "Porventura enviou-me meu senhor ao teu senhor e a ti para falar estas palavras, e não antes aos homens que estão assentados sobre o muro, para que comam o seu próprio esterco e bebam a sua própria urina convosco?". Então Rabsaces põe-se em pé, clama em alta voz em judeu e diz: "Ouvi a palavra do grande rei, o rei da Assíria! Assim diz o rei: **Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar da sua mão**; nem vos faça Ezequias confiar no Senhor, dizendo: Infalivelmente nos livrará o Senhor, e esta cidade não será entregue na mão do rei da Assíria. Não ouvis a Ezequias; porque assim diz o rei da Assíria: Fazei paz comigo, e saí a mim, e coma cada um da sua vide, e cada um da sua figueira, e beba cada um da água da sua cisterna; até que eu venha e vos leve para uma terra como a vossa, terra de trigo e de pão, terra de vinhas e de olivais, terra de azeite e de mel, para que vivais e não morrais. E não ouvis a Ezequias, quando vos engana, dizendo: O Senhor nos livrará. Porventura os deuses das nações livraram cada um a sua terra da mão do rei da Assíria? Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim, Hena e Ivá? Porventura livraram a Samaria da minha mão? Quais são eles, entre todos os deuses destas terras, que livraram a sua terra da minha mão, para que o Senhor livre a Jerusalém da minha mão?". O povo cala-se e não lhe responde palavra alguma, porque havia mandado do rei, dizendo: "Não lhe respondais". Então Eliaquim, Sebna e Joá rasgam as suas vestes e vêm a Ezequias, declarando-lhe as palavras de Rabsaces.

2. A Oração de Ezequias e a Resposta do Profeta Isaías (2 Reis 19:1-20 e Isaías 37:1-20)

Sucede que, ouvindo isto o rei Ezequias, **rasga as suas vestes, cobre-se de saco e entra na Casa do Senhor**. Envia a Eliaquim, o mordomo, a Sebna, o escriba, e aos mais antigos dos sacerdotes, cobertos de sacos, ao **profeta Isaías, filho de Amoz**. Eles dizem-lhe: "Assim diz Ezequias: Este dia é dia de angústia, de repreensão e de blasfêmia; porque os filhos chegaram à madre, e não há força para dar à luz. Porventura o Senhor teu Deus ouvirá todas as palavras de Rabsaces, a quem o rei da Assíria, seu senhor, enviou para injuriar ao Deus vivo, e repreenderá as palavras que o Senhor teu Deus tem ouvido; faze, pois, oração pelos que restam, que ainda se acham aqui". Os servos do rei Ezequias vão ter com Isaías. Isaías diz-lhes: "Assim dizeis a vosso senhor: Assim diz o Senhor: **Não temas por causa das palavras que ouviste**, com as quais os servos do rei da Assíria me blasfemaram. Eis que meterei nele um espírito, e ele ouvirá um rumor, e voltará para a sua terra; e **eu o farei cair morto à espada na sua terra**".

3. A Carta de Senaqueribe e a Aniquilação do Exército Assírio (2 Reis 19:21-37 e Isaías 37:21-38)

Senaqueribe envia de novo mensageiros a Ezequias, com uma carta blasfema reiterando que os deuses das nações não haviam livrado seus povos. **Ezequias toma a carta da mão dos mensageiros, sobe à Casa do Senhor, e estende-a perante o Senhor**. E **Ezequias ora perante o Senhor**, dizendo: "Ó Senhor Deus de Israel, que estás assentado entre os querubins, tu mesmo és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra. Inclina, ó Senhor, o teu ouvido, e ouve; abre, ó Senhor, os teus olhos, e vê; e ouve todas as palavras de Senaqueribe, o qual enviou a este para injuriar ao Deus vivo. Verdade é, Senhor, que **os reis da Assíria assolaram todas as nações e as suas terras**, e lançaram os seus deuses no fogo; porquanto não eram deuses, senão obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram. Agora, pois, ó Senhor nosso Deus, **livra-nos, peço-te, da sua mão**, para que todos os reinos da terra conheçam que só tu, ó Senhor, és Deus". Então **Isaías, filho de Amoz, envia a dizer a Ezequias**: "Assim diz o Senhor Deus de Israel: O que me suplicaste contra Senaqueribe, rei da Assíria, **eu o ouvi**". O Senhor profere o decreto de juízo contra o rei da Assíria, afirmando que a virgem, filha de Sião, o despreza e mexe a cabeça após ele, pois Ele colocará o Seu anzol no seu nariz e o Seu freio nos seus lábios, fazendo-o voltar pelo caminho por onde veio. E o sinal dado é que naquele ano comeriam o que espontaneamente nascesse, e no segundo ano o que daí procedesse, mas no terceiro ano semeariam e colheriam, plantando vinhas e comendo o seu fruto. O remanescente da casa de Judá voltará a deitar raiz para baixo e dará fruto para cima, pois de Jerusalém sairá um remanescente, e do monte Sião os que escapam; **o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto**. Por isso, assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: "Não entrará nesta cidade, nem lançará nela flecha alguma, nem virá perante ela com escudo, nem levantará contra ela trincheira alguma. Pelo caminho por que veio, por esse voltará, e nesta cidade não entrará, diz o Senhor. Porque **eu defenderei esta cidade, para a livrar, por amor de mim, e por amor de Davi, meu servo**". E sucede que **naquela mesma noite sai o anjo do Senhor, e fere no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil homens**; e, levantando-se pela manhã cedo, eis que **todos eram corpos mortos**. Então **Senaqueribe, rei da Assíria, parte, e vai-se**, e volta, e habita em Nínive. E sucedendo que, estando ele a adorar na casa de Nisroque, seu deus, **seus filhos Adrameleque e Sareser o ferem à espada**, e escapam para a terra de Ararate; e **seu filho Esar-Hadom reina em seu lugar**.

Contexto Histórico e Teológico

Contexto Histórico e Teológico: A invasão de Senaqueribe em 701 a.C. representou a maior crise militar e existencial do reinado de Ezequias. Enquanto o Império Assírio varria o Oriente Médio destruindo impiedosamente nações inteiras, as palavras arrogantes de Rabsaces desafiavam diretamente o poder de Yahweh. A resposta de Ezequias ao estender a carta de blasfêmia perante o altar de Deus exemplifica a oração de fé suprema. A intervenção milagrosa do anjo do Senhor que dizimou o exército assírio em uma única noite vindicou a soberania de Deus e salvou o remanescente de Judá.

Aplicação Prática

Lição para a Vida: Diante de ameaças esmagadoras, zombarias insolentes e crises que parecem totalmente insuperáveis, o nosso refúgio seguro não está em alianças políticas ou forças humanas, mas em apresentar nossa causa diretamente a Deus em oração, confiando que Ele zela pela Sua glória e defende o Seu povo.