Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção apresenta a intervenção do jovem Eliú, o majestoso discurso em que o próprio Deus fala a Jó a partir de um redemoinho questionando a sabedoria humana diante da vastidão da criação, a humilhação submissa de Jó e a exuberante restauração de sua sorte em dobro.
Após o silêncio dos três amigos, **Eliú**, filho de Baraquel, o buzita, toma a palavra com indignação, repreendendo tanto os amigos por não acharem resposta quanto a Jó por justificar a si mesmo mais do que a Deus, afirmando que **Deus fala de várias maneiras** para desviar o homem do mal e salvar sua alma da cova. Então, **o Senhor respondeu a Jó de um redemoinho**, e disse: "**Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?** Cinge agora os teus lombos como homem; e perguntar-te-ei, e tu ensinar-me-ás. **Onde estavas tu quando eu fundava a terra?** Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordão de medir? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando **as estrelas da alva juntas alegremente cantavam**, e todos os filhos de Deus jubilavam?" Deus desfila uma impressionante série de perguntas sobre os oceanos, o clima, os animais selvagens (o leão, a cabra montesa, o boi selvagem, o cavalo, o falcão), e culmina apresentando as poderosas criaturas do Beemote e do Leviatã.
Então respondeu Jó ao Senhor, e disse: "**Bem sei eu que tudo podes**, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. Quem é o que encobre o conselho sem conhecimento? Por isso **eu falei do que não entendia**; coisas que para mim eram mui maravilhosas, e que não conhecia... **Com o ouvir dos ouvidos ouvi falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos**. Por isso **me abomino e me arrependo no pó e na cinza**". E sucedeu que, depois de falar o Senhor estas palavras a Jó, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: **A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos**, porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e ofereceis holocaustos por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque **aceitarei a sua face**, para que não vos trate segundo a vossa loucura... E **o Senhor virou o cativeiro de Jó**, quando ele orava pelos seus amigos; e **o Senhor acrescentou a Jó outro tanto em dobro** a tudo quanto antes possuía. Vieram a ele todos os seus irmãos... e consolaram-no de todo o mal que o Senhor lhe tinha enviado; e cada um lhe deu uma peça de dinheiro e um pendente de ouro. Assim **abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro**; porque teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas. Também teve sete filhos e três filhas... E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos. E depois disto **Jó viveu cento e quarenta anos**, e viu a seus filhos, e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração. Então Jó morreu, velho e cheio de dias.
Contexto Histórico e Teológico: Quando Deus finalmente responde a Jó, Ele não lhe dá uma explicação teórica ou filosófica para o seu sofrimento, nem justifica a provação permitida. Em vez disso, Deus revela a Sua grandeza incomparável e a soberania transcendente de Sua sabedoria criadora. Jó percebe que a razão humana é infinitamente pequena para julgar os desígnios do Criador. Rendendo-se em adoração e arrependimento, Jó é restaurado e constituído intercessor por seus amigos equivocados.
Lição para a Vida: Deus não nos deve explicações sobre os porquês da vida, mas Ele nos dá a Si mesmo. Quando passamos pelo cadinho do sofrimento sem perder a fé, saímos com uma visão infinitamente mais profunda, humilde e viva da grandeza de Deus ("agora te vêem os meus olhos").