Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção introduz o livro do profeta Malaquias, o último do Antigo Testamento, que se estrutura em uma série de disputas ou debates divinos com um povo cínico, desiludido e espiritualmente apático, denunciando a infidelidade dos sacerdotes que ofereciam animais defeituosos no altar e condenando a quebra dos pactos matrimoniais.
Peso da palavra do Senhor a Israel, por intermédio de **Malaquias**. "**Eu vos tenho amado, diz o Senhor**. Mas dizeis: Em quê nos tens amado? Porventura não era Esaú irmão de Jacó? — diz o Senhor; contudo amei a Jacó, e odiei a Esaú... Os vossos olhos o verão, e direis: **O Senhor seja engrandecido para além dos limites de Israel**". O Senhor censura severamente os sacerdotes por oferecerem pão profanado e animais cegos, coxos e enfermos no altar: "Se eu sou pai, **onde está a minha honra?** E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? — diz o Senhor dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E dizeis: **Em quê temos desprezado o teu nome?** Ofereceis sobre o meu altar pão imundo, e dizeis: Em quê te havemos profanado? Nisto: **A mesa do Senhor é desprezível**. Porque, quando oferecieis animal cego para o sacrifício, isso não é mau? E, quando o ofereceis coxo ou enfermo, isso não é mau? Ora, apresenta-o ao teu governador; **agradar-se-á ele de ti?** Ou aceitará ele a tua pessoa? — diz o Senhor dos Exércitos... **Oh, quem houver entre vós que feche as portas**, para que não acendeis o fogo do meu altar em vão! Eu não tenho prazer em vós, diz o Senhor dos Exércitos, nem aceitarei oferta da vossa mão. Porque **desde o nascente do sol até ao poente**, grande é o meu nome entre os gentios; e em todo lugar se incense o meu nome, e se ofereça a meu nome oferta pura; porque **o meu nome será grande entre os gentios**, diz o Senhor dos Exércitos. Mas vós o profanais... E agora, ó sacerdotes, **este mandamento é para vós**. Se o não ouvierdes, e se não propuserdes em vós mesmos dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, **enviarei a maldição sobre vós**, e maldiçoarei as vossas bênçãos; e já as tenho maldiçoado, porque vós não o pusesdes em vosso coração".
"**Não temos todos nós um mesmo Pai?** Não nos criou um mesmo Deus? **Por que fomos desleais cada um contra seu irmão**, profanando a aliança de nossos pais? **Judas tem sido desleais**, e abominação se tem cometido em Israel e em Jerusalém; porque **Judas profanou a santidade do Senhor**, que ele ama, e se casou com a filha de deus estranho. O Senhor cortará das tendas de Jacó o homem que fizer isto, o mestre, e o discípulo, e o que oferece oferta ao Senhor dos Exércitos. E **outra vez fazeis isto**: cobris o altar do Senhor de lágrimas, de choro e de suspiros; de sorte que **ele não olha mais para a oferta**, nem a aceitará com prazer da vossa mão. Contudo dizeis: **Por quê?** Porque **o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade**, contra a qual foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança. E não fez ele um só, tendo ele a resíduo do espírito? E por que um só? **Ele buscava uma descendência para Deus**. Portanto, guardai-vos em vosso espírito, e **ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade**. Porque **o Senhor, o Deus de Israel, diz que odeia o divórcio**, e o que cobre a violência com a sua veste, diz o Senhor dos Exércitos; portanto, guardai-vos em vosso espírito, e **não sejais desleais**".
O texto encerra o capítulo expondo o cinismo do povo que questionava a justiça divina: "**Entediastes ao Senhor com vossas palavras**; e dizeis: **Em quê o temos entediado?** Nisto: **Qualquer que faz o mal é bom aos olhos do Senhor**, e desses tais ele se agrada; ou: **Onde está o Deus do juízo?**".
Contexto Histórico e Teológico: Malaquias profetizou por volta de 460-450 a.C., durante o período pós-exílico (provavelmente na época anterior ou contemporânea às reformas de Neemias). A esperança inicial da restauração gloriosa havia murchado diante das dificuldades econômicas, secas e opressão persa. Como resultado, o povo caiu em um profundo cinismo espiritual: duvidavam do amor de Deus, tratavam o culto com descaso oferecendo o mínimo e o pior de seus rebanhos, e demonstravam infidelidade nos relacionamentos familiares e alianças.
Lição para la Vida: O formalismo religioso e a apatia espiritual nos levam a oferecer a Deus uma adoração negligente e descompromissada. Deus nos chama a honrá-lo com sinceridade em todo o nosso viver, guardando a integridade em nossos compromissos e em nossa vida familiar.