Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção registra a maravilhosa restauração da aliança quebrada. Deus demonstra Sua infinita misericórdia ao conceder novas tábuas da lei e revelar o Seu caráter sublime a Moisés no monte Sinai.
O Senhor ordena a Moisés que tunda duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras que ele quebrara, para que Deus escreva nelas as mesmas palavras. Moisés levanta-se cedo pela manhã e sobe sozinho ao monte Sinai. O Senhor desce na nuvem, põe-se ao lado dele e proclama o Seu santo nome. Enquanto passa diante de Moisés, o Senhor proclama solenemente a Sua essência: "Senhor, Senhor Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado; que de maneira nenhuma terá por inocente o culpado". Diante dessa revelação avassaladora da graça e justiça divina, Moisés inclina-se imediatamente com o rosto em terra, adora e suplica que o Senhor caminhe no meio deles, perdoando a iniquidade do povo e tomando-os por Sua herança.
Deus firma solenemente uma nova aliança com Israel, fazendo produtos e maravilhas que nunca foram feitos em toda a terra. Para isso, impõe condições estritas: o povo é severamente advertido a jamais fazer aliança ou pacto com os habitantes da terra que vão conquistar, devendo destruir totalmente os seus altares, estátuas e bosques idólatras, pois o Senhor tem o nome de Zeloso (um Deus zeloso). O texto reitera mandamentos fundamentais de proteção espiritual: a proibição de deuses de fundição, a guarda rigorosa da Festa dos Pães Ázimos, a consagração dos primogênitos, a observância do sábado e o comparecimento obrigatório de todos os homens perante o Senhor três vezes ao ano nas festividades solenes. Moisés escreve todas estas palavras da aliança, permanecendo no monte com o Senhor por mais quarenta dias e quarenta noites sem comer pão nem beber água.
Quando Moisés desce do monte Sinai trazendo as duas tábuas do testemunho em suas mãos, ele não sabia que a pele do seu rosto resplandecia intensamente pelo fato de ter falado diretamente com Deus. Quando Arão e todos os filhos de Israel olham para Moisés, veem que a luz do seu rosto brilha tanto que temem aproximar-se dele. Moisés os chama, e Arão e os principais da congregação voltam-se para ele; Moisés lhes fala todas as ordens recebidas. Contudo, quando termina de falar com eles, Moisés põe um véu sobre o rosto. Sempre que entravava perante o Senhor para com Ele falar, tirava o véu até sair; e, saindo, dizia aos filhos de Israel o que lhe fora ordenado, vendo o povo que a pele do rosto de Moisés resplandecia. Por isso, tornava a pôr o véu sobre o rosto, até que entrava para falar com Ele.
Contexto Histórico e Teológico: A substituição das tábuas quebradas pelas novas tábuas ilustra visualmente a doutrina do perdão e da restauração da aliança graciosa. O reflexo da glória de Deus na face de Moisés causava temor no povo porque evidenciava a pureza intransigente da santidade divina. Conforme o apóstolo Paulo comenta em 2 Coríntios 3, aquele resplendor no rosto de Moisés era passageiro, mas a glória da Nova Aliança em Cristo permanece para sempre em nossos corações.
Lição para a Vida: A convivência íntima e prolongada com a presença santa de Deus transforma visivelmente a nossa vida, deixando marcas de Sua glória e pureza que os outros conseguem perceber. Buscar a Deus face a face muda o nosso interior e reflete o Seu caráter ao mundo.