Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção relata a renovação espiritual de Israel através da circuncisão e da celebração da Páscoa em Gilgal, seguida pela primeira grande campanha militar e estratégica da conquista de Canaã: a extraordinária queda das muralhas de Jericó.
Ao ouvirem que o Senhor secar as águas do Jordão diante dos filhos de Israel, todos os reis dos amorreus a oeste e dos cananeus junto ao mar desfalecem de medo, perdendo o ânimo para o combate. Antes de iniciar as guerras de conquista, o Senhor ordena a Josué que faça **facas de pederneira e circuncide segunda vez os filhos de Israel**. A razão explicada é profunda: toda a geração de homens guerreiros que saíra do Egito havia falecido no deserto durante os quarenta anos de peregrinação, e os filhos que nasceram no deserto ainda não haviam sido circuncidados. Após a circuncisão de todo o povo em Gilgal (lugar cujo nome significa "rolo" ou "remoção", pois o Senhor disse: "Hoje tenho rolado de sobre vós o opróbrio do Egito"), o acampamento repousou ali até sararem. Em seguida, celebraram a **Páscoa** na campina de Jericó. Nesse exato momento, **o maná cessou** de cair, e os israelitas passaram a alimentar-se dos frutos da terra de Canaã. Para coroar o início da campanha, o **Príncipe do Exército do Senhor** aparece a Josué com uma espada desembainhada na mão; Josué prostra-se com o rosto em terra em adoração e ouve a ordem sagrada: "Descalça os sapatos dos teus pés, porque o lugar em que estais é santo".
Jericó encontrava-se rigidamente fechada e guardada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía nem entrava. O Senhor entrega a Josué uma estratégia militar completamente incomum e anti-convencional para derrubar as imponentes muralhas da cidade: durante **seis dias**, todo o exército armados, seguido por sete sacerdotes que levavam sete trombetas de chifres de carneiro adiante da Arca da Aliança, devia rodear a cidade uma vez por dia em absoluto silêncio, exceto pelo sonido das trombetas. No **sétimo dia**, porém, levantando-se ao romper da alva, deviam rodear a cidade **sete vezes**. Na sétima volta, quando os sacerdotes soassem longamente as trombetas e o povo ouvisse o sonido do shofar, **todo o povo daria um grande grito de guerra**, e as muralhas da cidade desabariam totalmente, subindo cada um em frente de si. O povo obedece com precisão matemática. Ao som do grande grito no sétimo dia, as muralhas despencam por terra; os israelitas invadem a cidade e a destroem completamente a fio de espada como anátema consagrado a Deus.
Conforme o pacto solene firmado anteriormente, Josué ordena aos dois espias que entrem na casa da prostituta Raabe e retirem dela e de toda a sua família (pai, mãe, irmãos e todos os seus parentes) em segurança antes que a cidade seja incendiada. Raabe é poupada e passa a habitar no meio de Israel até o dia de hoje, tendo sua fé heroica elogiada no Novo Testamento. Todo o restante da prata, do ouro e dos utensílios de bronze e ferro da cidade é recolhido para o tesouro da casa do Senhor. O capítulo encerra com uma imprecação profética severa proferida por Josué: "Maldito perante o Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó; sobre o seu primogênito a fundará, e sobre o seu filho menor lhe estabelecerá as portas".
Contexto Histórico e Teológico: A circuncisão e a Páscoa em Gilgal reafirmavam teologicamente que a conquista de Canaã não era um empreendimento imperialista secular, mas uma guerra santa conduzida por um povo pactuado e purificado. A queda das muralhas de Jericó por meio da fé e da obediência litúrgica (e não por máquinas de cerco militares) demonstrava claramente que a vitória pertencia exclusivamente ao Senhor.
Lição para a Vida: As maiores muralhas e os obstáculos intransponíveis da nossa vida ruem quando seguimos fielmente a estratégia e a direção de Deus, mesmo que pareçam humanamente insensatas. A obediência precede sempre o milagre da vitória.