A vida de Cristo, o início da Igreja e as revelações de redenção.
A jornada continua com um forte senso de urgência. Jesus avisa repetidamente sobre a estreiteza da porta da salvação e o custo de segui-Lo, mas em contraponto maravilhoso, Ele entrega as mais belas e comoventes histórias sobre a paixão insaciável de Deus em resgatar a humanidade caída.
Diante de notícias trágicas (galileus mortos por Pilatos), Jesus recusa a ideia de que o sofrimento é sempre punição proporcional ao pecado, mas adverte: 'Se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis'. Ele cura no sábado (a mulher encurvada e o homem hidrópico), enfurecendo os líderes religiosos que valorizavam mais a regra fria do que o alívio humano. Em Lucas 14, Jesus conta a Parábola do Grande Banquete, mostrando que os convidados originais deram desculpas esfarrapadas (bens materiais e relacionamentos), fazendo com que o Mestre mandasse chamar os pobres, aleijados e cegos pelas ruas. Imediatamente após, Ele choca as multidões sobre o "Custo do Discipulado": para segui-Lo, o amor por Ele deve ser tão superior que o amor pela própria família parecerá "ódio" em comparação. É preciso carregar a cruz e calcular o preço.
Lucas 15 é o "coração de Deus" exposto. Como os fariseus murmuravam que Jesus comia com pecadores, Ele responde com uma tríade de parábolas sobre o que se perdeu: A Ovelha Perdida (onde o pastor deixa as 99 e vai incansavelmente atrás da única perdida), a Moeda Perdida (a mulher que varre a casa até encontrar), e a coroa de todas as parábolas: O Filho Pródigo (ou O Pai Misericordioso). O filho mais novo exige a herança, desperdiça tudo com prostitutas e acaba desejando a comida dos porcos. Ao "cair em si" e voltar, o Pai o vê de longe, corre (algo humilhante para um patriarca), o abraça e lhe devolve a dignidade (anel e sandálias) com uma festa de alegria indescritível.
"Porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se... [Mas ao filho mais velho, o Pai diz:] Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se."
(Lucas 15:24, 31-32)
Contexto Histórico e Teológico: Na cultura judaica do primeiro século, sentar-se à mesa para comer com alguém era um sinal de profunda comunhão, aceitação e aliança. Quando Jesus comia com cobradores de impostos (traidores do império) e prostitutas, Ele não estava apenas endossando a humanidade deles, Ele estava declarando que a graça de Deus os havia recebido. O "filho mais velho" na parábola do Pródigo representa exatamente os fariseus: estão na casa do Pai, obedecem às regras externas, mas seus corações são frios, orgulhosos e cheios de ódio pelos pecadores que recebem misericórdia.
Lição para a Vida: Todo céu entra em festa por um único pecador que se arrepende, provando que Deus tem uma alegria explosiva em perdoar. Com qual dos dois filhos você mais se identifica hoje? Com o mais novo, que se afundou na lama do pecado e precisa desesperadamente voltar correndo para os braços do Pai, ou com o irmão mais velho, que vive dentro da igreja obedecendo regras, mas se irrita profundamente quando vê Deus abençoar alguém que você julga "indigno"?