A vida de Cristo, o início da Igreja e as revelações de redenção.
O drama da vida de Jesus alcança os portões de Jerusalém. Este bloco é uma transição intensa entre a salvação individual de um pecador odiado e o choro profético de Cristo sobre uma nação inteira que rejeitou a paz, culminando com Seus fortes avisos sobre o fim do Templo e o fim dos tempos.
Em Jericó, um homem rico, chefe dos publicanos e odiado pelo povo, Zaqueu, sobe numa árvore apenas para ver Jesus. Cristo, porém, enxerga seu coração e se convida para a sua casa. O impacto da presença de Cristo produz o que regras religiosas não conseguiram: Zaqueu voluntariamente doa metade dos seus bens e restitui quatro vezes mais a quem defraudou. Jesus, então, profere o lema de ouro de Lucas: 'Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido' (19:10). Após contar a Parábola das Dez Minas (fidelidade no serviço), ocorre a Entrada Triunfal. Mas enquanto a multidão aclama "Hosana!", Jesus olha para a cidade de Jerusalém e desaba em choro (Ele pranteia visivelmente), pois sabe do terrível massacre que os romanos farão porque eles não reconheceram o 'tempo da Sua visitação'.
Já no Templo, que Ele havia purificado dos vendilhões, Jesus enfrenta as armadilhas finais. Ele silencia a elite religiosa com a Parábola dos Lavradores Maus (que matam o filho do dono da vinha, profetizando Sua própria morte). Ele desfaz a emboscada do imposto ('Dai a César o que é de César...') e anula o ceticismo dos saduceus sobre a ressurreição. No momento mais belo daquela tarde, Ele vê ricos depositando fortunas no gazofilácio, mas Seus olhos fixam-se em uma viúva pobre depositando duas pequenas moedas de cobre, declarando: 'Esta viúva pobre deitou mais do que todos... porque deitou todo o seu sustento'.
Quando os discípulos admiram a beleza arquitetônica do Templo, Jesus profetiza o inimaginável: 'Não ficará pedra sobre pedra'. Ele delineia o período turbulento antes da Sua volta: nações contra nações, terremotos cósmicos, perseguições aos cristãos e a terrível cerco a Jerusalém. A ordem, porém, não é de pânico, mas de resistência: 'Na vossa paciência possuí as vossas almas'. Diante dos sinais catastróficos finais, Ele encoraja a Igreja: 'Quando estas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima'.
Contexto Histórico e Teológico: Zaqueu era um "arqui-publicano", um judeu que comprou o direito dos romanos de extorquir seu próprio povo. Ele representava o pior tipo de traidor nacional e religioso. Ao declarar "hoje a salvação entrou nesta casa", Jesus mostrou que ninguém está além do alcance da graça, mas que a verdadeira graça resulta inevitavelmente em arrependimento com frutos práticos (a devolução do dinheiro). Sobre o choro de Jesus em Jerusalém, a profecia do cerco cumpriu-se tragicamente no ano 70 d.C., quando o general Tito construiu trincheiras, cercou a cidade, e massacrou centenas de milhares de judeus por causa da rebelião zelote.
Lição para a Vida: O arrependimento de Zaqueu tocou no lugar mais sensível da vida humana: o bolso. O arrependimento que não afeta a maneira como tratamos o dinheiro e os negócios, não é arrependimento, é apenas remorso. E sobre a oferta da viúva, Deus não usa a matemática humana. Ele não está interessado no tamanho do "cheque", mas no tamanho do sacrifício e na disposição do coração em depender totalmente dEle. Quanto da sua vida você tem retido, com medo de entregar tudo nas mãos de Deus?