A vida de Cristo, o início da Igreja e as revelações de redenção.
Se Romanos 1-5 trata da nossa justificação (libertação da pena do pecado), Romanos 6-8 trata da nossa santificação (libertação do poder do pecado). Paulo responde às acusações de que a superabundância da graça incentiva a libertinagem e culmina no hino triunfal de segurança eterna em Cristo, antes de mergulhar no denso mistério da eleição de Israel.
Diante da pergunta: 'Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?', Paulo grita um enfático 'De modo nenhum!'. Ele explica que fomos co-crucificados com Cristo. A nossa velha natureza morreu; portanto, o pecado não pode mais reinar em nossos corpos mortais. Contudo, no capítulo 7, Paulo descreve de forma vulnerável e agonizante a luta interna do crente nascido de novo: 'Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço... Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?'. A Lei é boa, mas nossa carne é fraca, exigindo uma solução fora de nós mesmos.
Romanos 8 é considerado o capítulo mais alto de toda a Bíblia. A resposta para a agonia do capítulo 7 está no primeiro versículo: 'Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus'. Paulo expõe a vida guiada pelo Espírito Santo (citado mais de 20 vezes no capítulo), que nos adota como filhos (clamando Aba, Pai) e intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Ele garante que 'todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus', e encerra com o brado inabalável de que absolutamente nada — nem anjos, nem demônios, nem a morte — nos separará do amor de Deus em Cristo.
Paulo chora por sua nação, Israel, que rejeitou o Messias. Nestes capítulos, ele entra nas profundezas da predestinação e eleição soberana de Deus (como no exemplo de Jacó e Esaú). O endurecimento de Israel não é acidental; Deus usou a rejeição dos judeus para enxertar os gentios (a oliveira brava) na raiz da promessa. No entanto, Paulo assegura que Deus não rejeitou definitivamente Israel; quando a "plenitude dos gentios" for alcançada, haverá uma grande restauração judaica, levando-o a adorar: 'Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus!'.
Contexto Histórico e Teológico: O batismo mencionado em Romanos 6 não salva, mas encena o que já aconteceu no coração: a imersão na água simboliza o nosso sepultamento junto com a morte de Cristo, e o erguer-se da água declara a nossa participação em Sua ressurreição para vivermos em novidade de vida. Em Romanos 11, a analogia da oliveira recorda aos cristãos gentios em Roma para não se orgulharem; eles não sustentam a raiz, é a raiz judaica (os patriarcas e a aliança original) que os sustenta pela misericórdia de Deus.
Lição para a Vida: A batalha descrita em Romanos 7 é real para todo cristão honesto. Se você não sente a guerra interna contra a carne, isso não significa que você é perfeito, pode significar que você se rendeu ao inimigo sem lutar. Mas a resposta não é mais esforço moral; a resposta é a vitória no Espírito descrita em Romanos 8. E diante dos problemas da vida, lembre-se: se Deus não poupou o Seu próprio Filho, mas O entregou por nós, como não nos daria, junto com Ele, todas as coisas?