A vida de Cristo, o início da Igreja e as revelações de redenção.
Paulo agora começa a responder perguntas específicas que a igreja de Corinto lhe enviara por carta. Ele aborda questões complexas do cotidiano cristão: casamento, a renúncia dos próprios direitos por amor aos irmãos mais fracos, a disciplina e o profundo temor e reverência exigidos na Ceia do Senhor.
Paulo instrui que marido e mulher não devem privar um ao outro do dever conjugal (a não ser por mútuo acordo para oração). Ele encoraja fortemente a permanência no estado em que a pessoa foi chamada. O apóstolo, sendo solteiro, exalta o celibato não porque o sexo no casamento seja pecado, mas porque o solteiro cuida exclusivamente 'das coisas do Senhor', sem as distrações legítimas e as ansiedades naturais da vida familiar.
Sobre carnes sacrificadas a ídolos, Paulo concorda que o ídolo não é nada (o crente é livre para comer). Contudo, 'a ciência incha, mas o amor edifica'. Se a liberdade de comer escandalizar a consciência de um irmão fraco, o amor exige que a liberdade seja anulada: 'se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne'. No capítulo 9, Paulo usa a si mesmo como exemplo de renúncia: embora tivesse o direito de ser sustentado pela igreja, ele preferiu trabalhar fazendo tendas para não colocar nenhum obstáculo ao Evangelho. O capítulo 10 traz severas advertências sobre o povo de Israel no deserto: mesmo tendo a nuvem e o maná, muitos pereceram por causa da idolatria e murmuração, mas Deus promete: 'Não vos sobreveio tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis'.
Após tratar da ordem cultural sobre o uso do véu, Paulo entra na desordem do culto. As refeições comunitárias (Ágape) que antecediam a Ceia estavam um desastre: os ricos comiam muito e se embriagavam, enquanto os escravos e pobres ficavam com fome. Paulo adverte de forma aterrorizante que participar do corpo e do sangue de Cristo de forma indigna e desrespeitosa resulta em juízo. Ele revela que, por causa dessa falta de reverência para com a Igreja e o sacramento, muitos entre eles estavam doentes, e outros até já tinham morrido (dormem). A ordem é: 'Examine-se, pois, o homem a si mesmo'.
Contexto Histórico e Teológico: Na antiguidade, a maior parte da carne vendida nos açougues de Corinto vinha de animais que haviam sido oferecidos nos altares pagãos antes do abate. Os crentes recém-convertidos do paganismo sentiam que, ao comerem, estavam participando de demonismo (consciência fraca). O princípio teológico de Paulo (cap. 8) transcende a comida: a sua liberdade cristã termina exatamente onde começa a fraqueza do seu irmão. O amor pela alma alheia deve sempre asfixiar o seu "direito" pessoal.
Lição para a Vida: O cristianismo moderno idolatra os "direitos". Paulo nos chama a abrir mão dos nossos direitos se isso for ferir alguém ou impedir o Evangelho de avançar. Quantas atitudes (vestimentas, lugares que você frequenta, fotos postadas) você defende dizendo "eu sou livre, não é pecado", mas que estão derrubando irmãos mais fracos na fé? Além disso, a Santa Ceia não é um lanche litúrgico; é o momento de mais profundo autoexame. Brincar com o sagrado atrai o cálice da disciplina de Deus.