A vida de Cristo, o início da Igreja e as revelações de redenção.
Os coríntios eram obcecados por demonstrações de poder espiritual (especialmente o dom de línguas), gerando um caos litúrgico nas reuniões e muita vaidade espiritual. Paulo disciplina o uso dos dons, coloca o amor acima de todo o poder e fecha a carta com a defesa mais grandiosa e teológica sobre a ressurreição corporal de Cristo e dos crentes em toda a Bíblia.
Em 1 Coríntios 12, Paulo explica que 'há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo'. Ele compara a Igreja ao corpo humano. O olho não pode desprezar a mão, nem a cabeça os pés. Cada membro é vital, e não há dons "superiores" que tornem alguém mais amado por Deus. No capítulo 14, ele organiza o culto público, que havia se tornado uma barulheira ininteligível. Ele prioriza a profecia (que edifica, exorta e consola a igreja) em detrimento do dom de línguas sem interpretação, declarando o princípio máximo da adoração coletiva: 'Deus não é Deus de confusão, senão de paz... Faça-se tudo decentemente e com ordem'.
Posicionado como o coração do ensino dos dons, está o poema máximo do amor. Paulo aniquila a vaidade dos milagres: eu posso falar as línguas dos anjos, ter fé para mover montanhas e até entregar meu corpo para ser queimado como mártir; se eu não tiver o Ágape (o amor sacrificial e voluntário), 'nada serei'. Profecias acabarão, línguas cessarão, a ciência desaparecerá, mas o amor permanece para a eternidade, sendo maior até que a fé e a esperança.
Membros da igreja diziam que não havia ressurreição dos mortos. Paulo é categórico: 'E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé... somos os mais miseráveis de todos os homens'. Ele lista as testemunhas do Cristo vivo e estabelece que Jesus é as "primícias" (os primeiros frutos); a Sua ressurreição garante a nossa. Paulo revela um mistério: num piscar de olhos, ao soar a última trombeta, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados, cumprindo a palavra:
"Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo."
(1 Coríntios 15:55-57)
Contexto Histórico e Teológico: O ambiente pagão de Corinto estava acostumado com religiões de mistério, onde as pessoas entravam em frenesi extático, gritando e perdendo o controle de si mesmas. Alguns coríntios achavam que, quanto mais "descontrolados" e barulhentos fossem no culto cristão, mais cheios do Espírito estariam. Paulo corrige essa teologia pagã afirmando em 1 Coríntios 14:32 que "os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas". O verdadeiro Espírito Santo traz autocontrole, sanidade e ordem para edificar o próximo, não exibicionismo.
Lição para a Vida: É possível ser muito ungido, operar dons extraordinários, e ter o caráter absolutamente vazio de Cristo. Os dons espirituais apontam para a graça de Deus que os dá, mas é o Amor (suportar o irritante, não sentir inveja do sucesso alheio, não buscar os próprios interesses) que aponta para a verdadeira maturidade. A sua vida é barulho de bronze que soa ou a doce música do Ágape? Finalmente, à luz da nossa futura ressurreição imortal, Paulo nos exorta a não desanimarmos: "o vosso trabalho não é vão no Senhor!".