Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção narra o terrível cerco de Ben-Hadade a Samaria que levou a cidade a uma fome desesperadora e a práticas chocantes, a profecia de Eliseu de que haveria fartura no dia seguinte por um preço ínfimo, a descoberta do acampamento sírio abandonado por causa de um pavor milagroso, e a incredulidade trágica do oficial real que foi pisoteado pelo povo.
Passado algum tempo, **Ben-Hadade, rei da Síria, ajusta todo o seu exército, sobe e sitia a Samaria**. Há uma **grande fome em Samaria**, a ponto de uma cabeça de jumento valer oitenta siclos de prata, e a quarta parte de um cabo de esterco de pombas valer cinco siclos de prata. Sucede que, passando o rei de Israel pelo muro, uma mulher clama a ele, dizendo: "Socorre-me, ó rei meu senhor!". O rei responde: "Se o Senhor te não socorre, donde te socorrerei eu? Da eira ou do lagar?". O rei pergunta-lhe qual era a sua tribulação, e ela responde: "Esta mulher me disse: **Dá teu filho, para que hoje o comamos, e amanhã comemos o meu filho**. Cozemos, pois, o meu filho, e o comemos; mas, dizendo-lhe ao outro dia: Dá teu filho, para que o comamos, escondeu o seu filho". Ouvindo o rei as palavras da mulher, **rasga as suas vestes**, passando pelo muro; e o povo vê que **ele trazia saco por dentro sobre a sua carne**. O rei exclama: "Assim me faça Deus, e outro tanto, se a cabeça de Eliseu, filho de Safate, ficar hoje sobre ele". Jeorão envia um mensageiro para decapitá-lo; porém Eliseu, estando assentado em sua casa com os anciãos, antecipa a ordem e ordena que fechem a porta contra o filho do homicida que vinha tirar-lhe a cabeça.
Então Eliseu diz: "Ouvi a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor: **Amanhã, por este tempo, um alqueire de farinha se venderá por um siclo, e dois alqueires de cevada por um siclo**, à porta de Samaria". O capitão sobre cujo braço o rei se apoia responde ao homem de Deus: "Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, podería suceder isso?". Eliseu replica: "Eis que o verás com os teus olhos, porém **não comerás dele**". Havia quatro homens leprosos à entrada da porta, os quais dizem uns aos outros: "Por que estamos nós aqui sentados até morrermos? Se dissermos: Entremos na cidade, há fome na cidade, e morreremos ali; e se ficarmos aqui, morremos também. Vamos, pois, agora, e passemos para o acampamento dos sírios; se nos deixarem viver, viveremos, e se nos matarem, morremos". Levantam-se ao crepúsculo para irem ao acampamento dos sírios; e, quando chegam à extremidade do acampamento, **eis que não há ali ninguém**. Porque **o Senhor fizera ouvir no acampamento dos sírios ruído de carros e ruído de cavalos, ruído de um grande exército**, de maneira que dizem uns aos outros: "Eis que o rei de Israel alugou contra nós os reis dos heteus e os reis dos egípcios, para que nos ataquem". Por isso, **levantam-se e fogem ao crepúsculo**, abandonando as suas tendas, os seus cavalos e os seus jumentos, e deixando o acampamento tal como estava, para salvarem a sua vida. Chegando aqueles leprosos à extremidade do acampamento, entram em uma tenda, comem e bebem, tomam dali prata, ouro e vestes, e vão escondê-los; depois voltam e entram em outra tenda, tirando também de lá bens. Então dizem uns aos outros: "Não fazemos bem; este dia é dia de boas novas, e nós nos calamos... vamos, pois, e entremos, e façamos saber à casa do rei". Vêm e clamam aos guardas da porta da cidade, anunciando-lhes que haviam chegado ao acampamento dos sírios e que não havia ali homem algum, nem voz de homem, senão cavalos e jumentos atados, e as tendas como estavam. O rei levanta-se de noite e diz aos seus servos o que os sírios lhes tinham feito. Enviam espiões a cavalo, os quais seguem os sírios até ao Jordão, e vêem que todo o caminho estava cheio de vestes e utensílios que os sírios tinham lançado fora na sua precipitação. Os mensageiros voltam e o contam ao rei.
Então o povo sai e **saqueia o acampamento dos sírios**; e vende-se um alqueire de farinha por um siclo, e dois alqueires de cevada por um siclo, conforme a palavra do Senhor. O rei constituíra para guardar a porta o capitão sobre cujo braço se apoiava; mas **o povo o pisa na porta, e ele morre**, exatamente como falara o homem de Deus quando o rei descera a ele. Conforme o que falara o homem de Deus ao rei, dizendo: "Dois alqueires de cevada por um siclo, e um alqueire de farinha por um siclo serão amanhã, por este tempo, à porta de Samaria", assim lhe sucede ao capitão: o povo o pisa à porta, e **ele morre**.
Contexto Histórico e Teológico: O cerco de Samaria ilustra o nível de degradação e desespero humanamente insustentável a que o pecado pode conduzir uma nação. A intervenção soberana de Deus, que derrotou o exército sírio enviando um pavor sonoro sobrenatural e utilizando quatro leprosos marginais como primeiros mensageiros da vitória, demonstra que o Senhor opera salvamentos extraordinários desafiando todas as previsões lógicas ou céticas.
Lição para a Vida: A incredulidade diante das promessas e do poder de Deus resulta na perda pessoal das Suas bênçãos. Mesmo nas crises mais desesperadoras, a palavra do Senhor é infalível e pode transformar radicalmente o cenário da nossa história em apenas um dia.