Resumos exegéticos profundos, contexto histórico e ferramentas de estudo.
Esta seção narra o segundo grande sonho de Nabucodonosor sobre uma árvore imensa que é derrubada, a interpretação corajosa de Daniel advertindo o rei a arrepender-se de seus pecados através da justiça, o cumprimento exato da sentença de loucura por sete tempos, e a restauração final do rei após reconhecer a soberania do Altíssimo.
O rei Nabucodonosor, a todos os povos, nações e línguas, que habitam em toda a terra: Paz seja a vossa multiplicação. Pareceu-me bem fazer notórios os sinais e maravilhas que o Deus Altíssimo tem feito comigo. O rei proclama que os seus reinos são grandes e que os seus sinais são poderosos, o seu reino é um reino eterno, e o seu domínio de geração em geração. Ele estava sossegado em sua casa, e próspero no seu palácio, quando teve um sonho que o espantou; e os pensamentos na sua cama e as visões da sua cabeça o turbam. Por isso faz um decreto para que tragam perante ele todos os sábios da Babilônia, para que lhe façam saber a interpretação do sonho. Entram os magos, os astrólogos, os caldeus e os adivinhos, e ele diz o sonho diante deles; mas não lhe podem declarar a interpretação. Por fim **entra Daniel perante ele** (cujo nome é Beltesasar, segundo o nome do meu deus, e em quem há o espírito dos deuses santos), e diz-lhe o sonho. Nabucodonosor diz a Daniel: "Ó Beltesasar, príncipe dos magos, bem sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum mistério te é difícil; dize-me as visões do meu sonho que tenho visto, e a sua interpretação". Ele relata o sonho: "Estava vendo, e eis **uma árvore no meio da terra, cuja altura era grande; crescia esta árvore, e era forte**, e a sua altura chegava até ao céu, e era vista até aos confins de toda a terra. As suas folhas eram formosas, e o seu fruto abundante, e nela havia sustento para todos; debaixo dela os animais do campo achavam sombra, e as aves do céu habitavam nos seus ramos, e dela toda a carne se mantinha. Estava vendo nas visões da minha cabeça, na minha cama, e eis que **um vigia, um santo, descia do céu**. Clamava em alta voz, e dizia assim: **Deitai abaixo a árvore, e cortai os seus ramos, sacudi as suas folhas, e espalhai o seu fruto**; fujam os animais de debaixo dela, e as aves dos seus ramos. Mas **o tronco com as raízes deixai na terra**, e com uma cadeia de ferro e de bronze, na erva do campo... Seja mudado o seu coração, para que não seja coração de homem, e lhe seja dado coração de animal; e passem sobre ele sete tempos". Ouvindo isto, **Daniel (cujo nome é Beltesasar) fica atônito por quase uma hora**, e os seus pensamentos o turbam. O rei fala, e diz: "Beltesasar, não te turbe o sonho, nem a sua interpretação". Beltesasar responde, e diz: "Senhor meu, o sonho seja para os que te temem, e a sua interpretação para os teus inimigos. **A árvore que viste, que cresceu, e se fez forte**, cuja altura chegava até ao céu, e que era vista por toda a terra, cujas folhas eram formosas, e o seu fruto abundante, e em que havia sustento para todos, debaixo da qual habitavam os animais do campo, e em seus ramos tinham morada as aves do céu: **tu és, ó rei, que cresceste e te fizeste forte**; porque a tua grandeza cresceu, e chegou até ao céu, e o teu domínio até aos confins da terra. E quanto ao que viu o rei, a um vigia, a um santo, que descia do céu, e dizia: Cortai a árvore, e destruí-a, mas o tronco com as raízes deixai na terra... esta é a interpretação, ó rei, e este é o decreto do Altíssimo, que sobreveio ao rei meu senhor: **Serás lançado fora dos homens**, e a tua morada será com os animais do campo, e as ervas te darão comer como aos bois, e serás molhado com o orvalho do céu; e passarão sobre ti sete tempos, até que conheças que **o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer**. E quanto ao que ordenaram que se deixasse o tronco com as raízes da árvore, o teu reino te será confirmado, depois que deres por certo que os céus dominam. Portanto, **ó rei, aceita o meu conselho, e põe fim aos teus pecados, praticando a justiça**, e às tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres, para que se prolongue a tua tranquilidade".
Tudo isto vem sobre o rei Nabucodonosor. **Ao fim de doze meses, andando passeando no palácio real da Babilônia**, fala o rei, e diz: "Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a morada do reino, com a força do meu poder, e para glória da minha majestade?". Ainda a palavra estava na boca do rei, quando **cai uma voz do céu**: "A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: **O reino tem passado de ti**". Na mesma hora **se cumpre a palavra sobre Nabucodonosor**: é lançado fora dos homens, e come erva como os bois, e o seu corpo é molhado com o orvalho do céu, até que **o seu cabelo cresce como as penas da águia, e as suas unhas como as das aves**.
Mas **ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu**, e a minha razão voltou a mim, e **bendizei o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao Vivente para sempre**, cujo domínio é um domínio eterno, e o seu reino é de geração em geração. Todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estancar a sua mão, nem lhe dizer: Que fazes? No mesmo tempo a minha razão voltou a mim, e para a glória do meu reino a minha honra e a minha resplendência voltaram a mim; e os meus capitães e os meus grandes me buscaram; e fui estabelecido no meu reino, e a minha grandeza foi acrescentada mui duplamente. Agora, pois, **eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus**; porque todas as suas obras são verdadeiras, e os seus caminhos juízos, e **Ele pode humilhar aos que andam na soberba**.
Contexto Histórico e Teológico: O testemunho pessoal de Nabucodonosor registrado em Daniel 4 é um documento único nas Escrituras, escrito por um monarca gentio pagão após ser quebrantado por Deus. O episódio ilustra de forma profunda que a soberania sobre as nações e os reinos pertence exclusivamente ao Altíssimo, e que o orgulho humano, por mais poderoso e esplêndido que pareça, inevitavelmente atrai a humilhação divina.
Lição para a Vida: O sucesso, as conquistas e as posições de destaque não devem jamais nos levar a uma postura de autossuficiência ou vaidade. Devemos reconhecer constantemente que todas as nossas capacidades e provisões vêm de Deus, cultivando um coração humilde e temente ao Senhor.