A vida de Cristo, o início da Igreja e as revelações de redenção.
A Carta aos Hebreus (de autoria desconhecida, mas de inspiração divina inegável) é um sermão magistral escrito para cristãos judeus que, exaustos pela perseguição, estavam tentados a abandonar a Cristo e voltar ao judaísmo. O argumento central do livro é implacável: Cristo é superior a tudo. Voltar à velha religião seria trocar a Realidade pela sombra.
O livro abre com uma majestade estrondosa: 'Havendo Deus antigamente falado muitas vezes... a nossos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho'. Jesus é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do Seu ser. Ele é provado como infinitamente superior aos anjos (que são apenas espíritos ministradores). E no capítulo 2, a encarnação é explicada: o Filho teve que se tornar 100% humano, sofrer e morrer, para poder aniquilar aquele que tinha o império da morte (o diabo) e libertar os que viviam escravizados pelo pavor da morte.
Moisés foi um servo fiel na casa de Deus, mas Cristo é o Filho e Construtor da casa! O autor usa a rebelião do povo no deserto (que não entrou na Terra Prometida por incredulidade) como um alerta grave: não endureçam o coração! Mas para os que crêem, resta um repouso eterno (o verdadeiro "sábado" da alma, que é a paz em Cristo). O capítulo 4 termina com um convite glorioso:
"Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno."
(Hebreus 4:15-16)
Cristo é introduzido como o Sumo Sacerdote perfeito, não da linhagem de Arão (que era falha), mas segundo a ordem eterna de Melquisedeque. No capítulo 6, o autor dá a advertência mais dura do Novo Testamento aos crentes "bebês" que não queriam crescer: é impossível que aqueles que foram iluminados, provaram o dom celestial e o Espírito, se caírem (apostasia voluntária e total), sejam renovados para arrependimento, pois estão crucificando o Filho de Deus novamente.
Contexto Histórico e Teológico: O sacerdócio levítico (de Arão) era limitado pela morte e pelo próprio pecado do sacerdote, que precisava oferecer sacrifícios primeiro por si mesmo. Jesus, no entanto, é o sacerdote perfeito: Ele não tem pecados, Ele não morre (Seu sacerdócio é perpétuo) e Ele é simultaneamente o Sacerdote que oficia e o Cordeiro que é sacrificado no altar da cruz!
Lição para a Vida: É muito fácil "desviar-se" da verdade sem perceber (como um barco solto na correnteza). Hebreus nos acorda da sonolência espiritual. A maior beleza do livro é nos mostrar que o nosso Deus não é um tirano distante: Ele se fez carne, chorou, foi tentado e sentiu na pele as suas angústias. Por isso, quando você fracassar, não fuja de Deus; corra confiadamente para o Trono da Graça, pois lá está um Sacerdote que tem profunda empatia pela sua fraqueza.