A vida de Cristo, o início da Igreja e as revelações de redenção.
A segunda metade de Hebreus atinge o clímax da teologia da cruz. O autor prova que o sistema de sacrifícios de animais falhou em purificar a consciência humana e, portanto, foi revogado e substituído pelo sacrifício de valor infinito de Jesus Cristo. Após a doutrina, o autor nos leva para a pista de corrida, lendo a lista dos maiores heróis da fé para nos encorajar a não desistir.
Melquisedeque (Rei da Justiça e Rei da Paz), a quem o próprio Abraão deu dízimos em Gênesis, é uma "tipologia" de Cristo (sem genealogia registrada, sem começo de dias nem fim de vida). Cristo é sacerdote desta ordem eterna! No capítulo 8, o autor declara que a Antiga Aliança (a Lei) envelheceu e foi substituída pela Nova Aliança prometida por Jeremias, onde Deus escreve Suas leis diretamente na mente e no coração do Seu povo, e não se lembra mais dos seus pecados.
O sangue de touros e bodes não podia perdoar pecados; apenas "cobria" temporariamente, exigindo sacrifícios anuais. Mas Cristo, 'pelo seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção'. Ao oferecer Seu corpo uma única vez, Ele 'aperfeiçoou para sempre os que são santificados'. Agora, temos intrepidez (ousadia) para entrar no Santo dos Santos pelo "novo e vivo caminho" que Ele consagrou através do véu (a Sua carne)! A ordem é: não abandonem a congregação, estimulem-se ao amor e suportem a provação.
O capítulo 11 é o "Hall da Fama" bíblico. A fé é definida como 'a certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem'. De Abel a Abraão, de Moisés à prostituta Raabe, até aos mártires serrados ao meio, todos venceram porque mantiveram os olhos na promessa invisível. Inspirado por essa 'tão grande nuvem de testemunhas' (capítulo 12), o autor nos ordena a lançar fora todo peso e o pecado que nos assedia, correndo a carreira com os olhos fixos exclusivamente em Jesus, o autor e consumador da fé. Suportem a disciplina (Deus corrige os filhos que ama) e saiam do "acampamento" do conforto para levar o opróbrio (a vergonha) da cruz de Cristo (capítulo 13).
Contexto Histórico e Teológico: Quando o Sumo Sacerdote judeu entrava no Santo dos Santos uma vez por ano no Yom Kippur (Dia da Expiação), não havia cadeira lá dentro, pois o seu trabalho nunca terminava (novos pecados exigiam novos sacrifícios no ano seguinte). O autor de Hebreus foca num detalhe teológico brilhante: após Cristo fazer o Seu único sacrifício, Ele "assentou-se à destra de Deus". Ele se sentou porque o trabalho de expiação estava completa e definitivamente finalizado (Tetelestai)!
Lição para a Vida: O véu do templo, que antes afastava você e dizia "fique do lado de fora ou morra", foi rasgado de alto a baixo. Você tem acesso VIP à presença de Deus! Não viva como um mendigo espiritual no pátio de fora. Aproprie-se dessa confiança para orar e adorar. E ao enfrentar a sua maratona de vida, pare de olhar para os lados, para os seus problemas ou para a queda dos outros: corra mantendo os olhos 100% pregados em Jesus. Ele já está na linha de chegada esperando por você.